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Leia o texto para responder às questões de números 02 06.


O brasileiro mais comedido

        A crise econômica está ficando para trás, mas seus efeitos vão demorar a desaparecer. Um deles está no consumo: o brasileiro ficará mais comedido pelo menos até 2022. Um estudo conduzido pela consultoria britânica Euromonitor mostrou que as vendas de produtos mais caros deverão crescer a uma taxa menor nos próximos anos ou até cair, enquanto as de artigos mais baratos deverão ter um avanço significativo. O destaque fica com os produtos de cuidado com animais de estimação, cujas vendas deverão crescer 64% no período de 2014 a 2022. Os produtos eletrônicos – em geral, mais caros – deverão ter queda de 9%. “A profundidade da recessão econômica deixou marcas no brasileiro que tornaram seu consumo mais cuidadoso, um hábito que se manterá no médio prazo”, diz Elton Morimitsu, analista de pesquisa da Euromonitor.

(Exame, 02.05.2018)

Se o cenário econômico do país fosse o contrário daquele exposto no texto, um título coerente seria: 

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Leia o texto para responder às questões de números 02 06.


O brasileiro mais comedido

        A crise econômica está ficando para trás, mas seus efeitos vão demorar a desaparecer. Um deles está no consumo: o brasileiro ficará mais comedido pelo menos até 2022. Um estudo conduzido pela consultoria britânica Euromonitor mostrou que as vendas de produtos mais caros deverão crescer a uma taxa menor nos próximos anos ou até cair, enquanto as de artigos mais baratos deverão ter um avanço significativo. O destaque fica com os produtos de cuidado com animais de estimação, cujas vendas deverão crescer 64% no período de 2014 a 2022. Os produtos eletrônicos – em geral, mais caros – deverão ter queda de 9%. “A profundidade da recessão econômica deixou marcas no brasileiro que tornaram seu consumo mais cuidadoso, um hábito que se manterá no médio prazo”, diz Elton Morimitsu, analista de pesquisa da Euromonitor.

(Exame, 02.05.2018)

O texto mostra que a crise econômica
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Leia a tira a seguir.

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As informações verbais e não verbais da tira permitem concluir que as observações empíricas

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Comunicação


Luís Fernando Veríssimo


        É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?

        “Posso ajudá-lo, cavalheiro?”

        “Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...”

        “Pois não?”

        “Um... como é mesmo o nome?”

        “Sim?”

        “Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima”.

        “Sim senhor.”

        “O senhor vai dar risada quando souber.”

        “Sim senhor.”

        “Olha, é pontuda, certo?”

        “O quê, cavalheiro?”

        “Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?”

        “Infelizmente, cavalheiro...”

        “Ora, você sabe do que eu estou falando.”

        “Estou me esforçando, mas...”

        “Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?”

        “Se o senhor diz, cavalheiro.”

        “Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.”

(Crônicas 06. São Paulo: Ática, 2002. p.28-29. Série Para gostar de ler. Fragmento)

Ansioso por ser compreendido, o personagem tenta explicar da melhor forma seu pedido. A expressão assim, assim revela ao leitor que ele está

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A expressão “a palavra me escapou” (7.º parágrafo), mantendo-se o mesmo sentido, poderia ser assim reformulada:

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Luís Fernando Veríssimo


        É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?

        “Posso ajudá-lo, cavalheiro?”

        “Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...”

        “Pois não?”

        “Um... como é mesmo o nome?”

        “Sim?”

        “Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima”.

        “Sim senhor.”

        “O senhor vai dar risada quando souber.”

        “Sim senhor.”

        “Olha, é pontuda, certo?”

        “O quê, cavalheiro?”

        “Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?”

        “Infelizmente, cavalheiro...”

        “Ora, você sabe do que eu estou falando.”

        “Estou me esforçando, mas...”

        “Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?”

        “Se o senhor diz, cavalheiro.”

        “Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.”

(Crônicas 06. São Paulo: Ática, 2002. p.28-29. Série Para gostar de ler. Fragmento)

O uso das aspas, no texto, poderia ser substituído adequadamente, sem prejuízo de sentido, por

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Luís Fernando Veríssimo


        É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?

        “Posso ajudá-lo, cavalheiro?”

        “Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...”

        “Pois não?”

        “Um... como é mesmo o nome?”

        “Sim?”

        “Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima”.

        “Sim senhor.”

        “O senhor vai dar risada quando souber.”

        “Sim senhor.”

        “Olha, é pontuda, certo?”

        “O quê, cavalheiro?”

        “Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?”

        “Infelizmente, cavalheiro...”

        “Ora, você sabe do que eu estou falando.”

        “Estou me esforçando, mas...”

        “Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?”

        “Se o senhor diz, cavalheiro.”

        “Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.”

(Crônicas 06. São Paulo: Ática, 2002. p.28-29. Série Para gostar de ler. Fragmento)

Logo no início do texto, o narrador afirma que é importante saber o nome das coisas. Isso porque os nomes
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O Sr. Pip


        Todo mundo o chamava de Olho Arregalado. Mesmo na época em que eu era uma garota magrinha de treze anos, eu achava que ele sabia do seu apelido mas não ligava. Os olhos dele estavam interessados demais no que havia lá em cima para reparar num bando de garotos descalços.

        Ele tinha o ar de alguém que tinha visto ou vivido um grande sofrimento e que não havia sido capaz de esquecê-lo. Seus olhos grandes na cabeça grande eram mais saltados do que os de qualquer pessoa – como se quisessem abandonar a superfície do rosto dele. Eles nos faziam pensar em alguém que está louco para sair de casa.

        Olho Arregalado usava o mesmo terno de linho todos os dias. As calças colavam nos seus joelhos ossudos devido à umidade. Tinha dias em que ele usava um nariz de palhaço. O nariz dele já era grande o suficiente. Ele não precisava daquela lâmpada vermelha. Mas, por motivos que não conseguíamos imaginar, ele usava o nariz vermelho em determinados dias que talvez tivessem algum significado para ele.

(Jones, Lloyd. O Sr. Pip. Trad. Léa Viveiros de Castro. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. p.09. Fragmento)

Alterando-se a oração “As calças colavam nos seus joelhos devido à umidade” mantém-se a crase em

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        Todo mundo o chamava de Olho Arregalado. Mesmo na época em que eu era uma garota magrinha de treze anos, eu achava que ele sabia do seu apelido mas não ligava. Os olhos dele estavam interessados demais no que havia lá em cima para reparar num bando de garotos descalços.

        Ele tinha o ar de alguém que tinha visto ou vivido um grande sofrimento e que não havia sido capaz de esquecê-lo. Seus olhos grandes na cabeça grande eram mais saltados do que os de qualquer pessoa – como se quisessem abandonar a superfície do rosto dele. Eles nos faziam pensar em alguém que está louco para sair de casa.

        Olho Arregalado usava o mesmo terno de linho todos os dias. As calças colavam nos seus joelhos ossudos devido à umidade. Tinha dias em que ele usava um nariz de palhaço. O nariz dele já era grande o suficiente. Ele não precisava daquela lâmpada vermelha. Mas, por motivos que não conseguíamos imaginar, ele usava o nariz vermelho em determinados dias que talvez tivessem algum significado para ele.

(Jones, Lloyd. O Sr. Pip. Trad. Léa Viveiros de Castro. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. p.09. Fragmento)

A narradora do texto afirma que “Eles nos faziam pensar em alguém que está louco para sair de casa”. (2.º parágrafo), ou seja, para ela os olhos da personagem revelavam

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        Todo mundo o chamava de Olho Arregalado. Mesmo na época em que eu era uma garota magrinha de treze anos, eu achava que ele sabia do seu apelido mas não ligava. Os olhos dele estavam interessados demais no que havia lá em cima para reparar num bando de garotos descalços.

        Ele tinha o ar de alguém que tinha visto ou vivido um grande sofrimento e que não havia sido capaz de esquecê-lo. Seus olhos grandes na cabeça grande eram mais saltados do que os de qualquer pessoa – como se quisessem abandonar a superfície do rosto dele. Eles nos faziam pensar em alguém que está louco para sair de casa.

        Olho Arregalado usava o mesmo terno de linho todos os dias. As calças colavam nos seus joelhos ossudos devido à umidade. Tinha dias em que ele usava um nariz de palhaço. O nariz dele já era grande o suficiente. Ele não precisava daquela lâmpada vermelha. Mas, por motivos que não conseguíamos imaginar, ele usava o nariz vermelho em determinados dias que talvez tivessem algum significado para ele.

(Jones, Lloyd. O Sr. Pip. Trad. Léa Viveiros de Castro. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. p.09. Fragmento)

A expressão “ar de alguém” (2.º parágrafo) pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por
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